segunda-feira, 30 de abril de 2012

Parabéns Coelhão!

Muita gente se espanta quando digo que sou torcedor do América. O motivo maior é a surpresa, creio eu, porque é bem verdade que não é tão comum encontrar um americano pelas ruas de Belo Horizonte, praticamente divididas entre cruzeirenses e atleticanos.

Logo após a surpresa, vem sempre uma piadinha do tipo "poxa, você é sofredor, hein!", "já conseguiu comprar ingresso nas mãos de cambista?", "não foi ao jogo ontem porque perdeu a kombi?", entre outras. 

Sim, tenho que reconhecer que o time pelo qual eu torço não é lá uma potência futebolística, que tem poucos torcedores, que viveu períodos que beiravam ao ridículo e ao ostracismo - como o amadorismo da segunda divisão do mineiro em 2008 -, que era muito mais fácil e melhor torcer para o Cruzeiro ou o Atlético que, bem ou mal, tão ali na Série A, ganha um estadual aqui, joga uma Libertadores/Sul-Americana acolá, contratam bons jogadores...

Mas e daí? Torcer pelo time está muito além do que simplesmente ir ao estádio e comemorar vitórias. É continuar apoiando mesmo nas derrotas, nas eliminações frustrantes, nos comentários desdenhosos da imprensa e dos amigos. É poder ter orgulho de uma instituição esportiva e saber que isso é um lazer, uma diversão. Perdeu o jogo? A vida segue. Ganhou a partida? A vida continua do mesmo jeito.

Não é o resultado dentro de campo, os números, as conquistas que me fizeram torcer pelo América. É pelo que representa na minha vida: um time que apesar de todos obstáculos, sempre busca forças do nada para dar a volta por cima. Acho que posso tirar uma lição daí.

Em 2008, muita gente acreditava que o clube iria acabar, pois estava na segundona do mineiro. Em 2011 o time já estava na série A do Brasileiro. Fomos rebaixados? Fomos. Mas e daí? O importante é que em momento algum deixei de torcer, em momento algum os verdadeiros americanos deixaram de acreditar no time.

Hoje o América completa 100 anos. Um século que não pode ser resumido só a títulos ou eliminações, vitórias ou derrotas, sucessos ou fracassos. Não, o América é muito mais do que isso. São cem anos de superação incansável, de um sonho que nunca vai acabar, de jogar futebol não pela conquista de glórias, mas sim pelo prazer - que é a essência do esporte.

Troféus e números são completamente insignificantes comparados ao sacrifício, à superação, ao suor que é derramado em campo, à lealdade dos torcedores americanos em relação ao clube, a todos desafios superados ao longo deste século. Sim, porque isso é para poucos. Cem anos enfrentando tudo e a todos, sem deixar de acreditar por um segundo em si mesmo é só para os fortes.

Parabéns América, pelos 100 anos de raça, superação e força de vontade!